tmonauti Texto: Cláudio Knippel O atmonauti é uma técnica de vôo inventada por Marco Tiezzi, em 1998 e consiste num vôo diagonal em relação ao vento, voando o corpo de forma que a relação do ângulo de vôo, trajetória e velocidade criem um fluxo de ar que proporciona aos atletas a realização de um vôo em deslocamento muito preciso e consistente. A técnica do atmonauti permite que vários atletas voem sincronizados, mantendo a mesma trajetória e ângulo de vôo. Desta forma podem realizar várias manobras e figuras tais como grips numa formação normal de head down, mas de maneira muito mais tridimensional, pois o ângulo de vôo faz com que os atletas estejam sempre se deslocando, como se fossem uma formação em head down, mas quase horizontal. Pelo fato do vôo não ser realizado na vertical, o tempo de queda livre é basicamente 50% maior e há um deslocamento bem grande do grupo em relação ao solo. Segundo Marco Tiezzi, o conceito do atmonauti é usar o corpo como uma asa de avião para obter performance de vôo, sendo que nessa analogia os motores são substituídos pelo ângulo de vôo. A combinação obtida entre velocidade, ângulo em relação ao vento e as várias formas que podemos assumir com o corpo é que proporciona a "pilotagem" do corpo num vôo muito preciso e controlado. Para entendermos melhor este lance de ângulo de vôo, tomando por base outros saltos em que haja deslocamento horizontal, estes seriam os ângulos de vôo em relação ao horizonte: no track, o ângulo de vôo é entre 0 a 10 graus, em um salto flock, que é um salto de deslocamento horizontal, mas de head down, é entre 89 a -60 graus. No vôo em atmonauti, o ângulo é entre essas duas formas, ou seja, cerca de 45 graus em relação ao horizonte. É uma técnica de vôo em pleno desenvolvimento, e um grande passo ocorreu quando Gigliola Borgnis, em uma trajetória de vôo com os pés à frente, como num flock de stand up muito acentuado, realizou algo que era, até então, considerado impossível, chamado hoje de atmonauti inverted ou stand up atmonauti. A técnica para o atmonauti inverted é a mesma, mas nesse caso, em vez da cabeça estar à frente, estarão os pés. Difícil pacas! Os saltos de atmonauti sempre deverão ter um líder que servirá de parâmetro para o ângulo, velocidade e direção de vôo. Os outros atletas, que seguirão o líder, poderão estar tanto voando de barriga quanto de costas. Contudo, é importantíssimo que todos voem no mesmo ângulo em relação ao horizonte e no mesmo nível de cabeça, garantindo assim um ar limpo e sem turbulências para todos. Segurança Num salto atmonauti, como em outros saltos de grande deslocamento horizontal, algumas precauções devem ser tomadas: 1. Programe a direção antecipadamente e mantenha o briefing. Para isso, leve sempre em consideração a direção do vento lá em cima. Informe-se com o piloto do avião. 2. Verifique se há algum outro grupo no avião que pretende fazer saltos com deslocamento de forma que haja um briefing, garantindo que os grupos se desloquem para direções opostas e não conflitantes. 3. Programe a separação e comando mais alto para garantir que todos possam voltar para a área em segurança. O atmonauti representa muito bem a técnica de uso do corpo para desenvolvimento do mais puro vôo humano. Mais informações: www.atmonauti.com, que possui dados, gráficos explicativos e descrição de técnicas específicas para esta modalidade de vôo. Vale a pena conferir. Fly safe, freefly high
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