World Cup of Canopy Piloting 2007 No torneio mundial realizado na Austrália, um brasileiro entre os dez melhores do mundo Texto: Mauricio Galante Foi realizada em Picton na Austrália, entre os dias 7 a 11 de novembro, a 4ª FAI World Cup of Canopy Piloting 2007 com a presença de 57 atletas representando 18 países com os melhores swoopers (pilotos de velames) do planeta. Marat Leiras, campeão brasileiro da modalidade em 2006, radicado nos EUA e carinhosamente chamado de "happyswooper" por todos no circuito profissional de swooping, levou a bandeira do Brasil ao evento acompanhado por mim, Mauricio Galante, na posição de seu técnico e também chefe de delegação no evento. A preparação para o evento começou há 18 meses quando Marat iniciou um projeto de médio prazo, três a cinco anos, visando trazer para o Brasil o título mundial da categoria e fomentar no Brasil o interesse pela prática do swooping com alto nível técnico e segurança. Em 2006, Marat participou do Pro Swooping Tour em Colorado, EUA, mostrando seu alto nível técnico e habilidade refinada ao lado de grandes nomes como: o PD Factory Team (Ian Bobo, Shannon Pilcher, Jonathan Tagle e Jay Moledzki), Team Fastrax e Team Xtreme da Icarus Canopies. Em 2006 destacou-se em vários eventos como o National Swoop Pond Meet em Gardiner - NY, onde foi 1º lugar, o SkyQuest Air Festival em DeLand - FL, 2º lugar, e veio prestigiar o campeonato brasileiro de swoop realizado em Boituva - SP, o qual se surpreendeu pelo bom desempenho dos competidores, bem como a excelente organização. Já em 2007, o trabalho foi direcionado a adaptação com os velames experimentais que a Performance Designs disponibilizou ao atleta, os mesmos usados pelo seu time de fábrica, e que apresentam sem dúvida, um altíssimo rendimento comparado aos modelos de mercado. Após muitas panes, muitos saltos de teste, algumas linhas quebradas e pequenos sustos, ajustou-se à asa para competir de igual para igual com os melhores do mundo. O Campeonato Mundial A viagem à Austrália marcou o fim de um ciclo de equiparação de material e implementação de estratégia própria de competição para então iniciar-se o ciclo final de experiência em competição de alto nível e eventos mundiais, que solidificarão a performance do atleta e trará consistência em resultados, daí um titulo mundial torna-se questão de tempo e oportunidade. Após quatro meses de estiagem, a região de Sydney na Austrália foi assolada por nove dias de intensas chuvas, e claro, como todo bom pára-quedista já sabe, ela ocorreu exatamente durante o evento, o que, atrapalhou bastante a organização nos preparativos finais da piscina e estrutura de apoio, bem como a preparação individual de todos os atletas envolvidos. A delegação brasileira chegou cinco dias antes do evento, mas pouco pôde fazer para se ambientar com a área: quatro saltos de treino no total e sempre tentando se encontrar entre nuvens baixas de 1500 a 2000 pés, ventos cruzados de 10 nós, quando não turbulento, a ponto de se cancelar a atividade. Estava selada a condição adversa que todos os atletas, sem exceção, encontrariam durante as provas de curva em velocidade, distância e precisão em zona de aterragem. O time da PD mostrou consistência desde o início e manteve a liderança durante todo o evento. Apesar de não poderem fazer mais de um salto de reconhecimento como os demais, contaram então com os milhares de saltos anuais em tours, demonstrações e competições e estavam mais que prontos para o show. Nosso Marat encontrou dificuldades em acertar o ponto de início da manobra (set up point) para voar seu Velocity XB 90 nas provas de velocidade, ficando assim em décimo nono lugar no placar geral parcial. Mas após uma espetacular terceira rodada em que pulverizou o percurso em 2.74 segundos, tornou-se o segundo homem mais rápido do mundo em baixo de um pára-quedas. Sua sorte começou a mudar. Já na prova de distância, onde vinha batendo recorde atrás de recorde nos treinos com os próprios atletas do time da PD em DeLand-FL, começou já na primeira rodada com a segunda marca do dia: 510 pés. E recuperou-se no placar geral. Daí então os ventos definiram a sorte de muitos excelentes atletas como Marat, Shannon Pilcher, Pete Allum, entre outros, que apesar de aproximações perfeitas, não conseguiram passar dos 400 pés com rajadas de até sete nós de nariz, e que freqüentemente giravam 180 graus favorecendo muitos com o vento de cauda, embolando assim o placar geral. Jay Moledzki do time da PD sobressaiu-se dos demais pela consistência em provas. E também pela paciência demonstrada nas rotineiras esperas de quase seis horas entre um salto e outro devido às chuvas, ventos e paralisações técnicas. Mesmo com ventos desfavoráveis em todas as suas rodadas, Marat pulou para a décima posição no quadro geral, impulsionado pela sólida base nos treinos de distância e extrema confiança em seu Velocity 96. Nas provas de precisão em zona de aterragem, muito pouco mudou entre os cabeças da competição, e o time da PD confirmou o que todos já sabiam. A briga boa entre o grupo intermediário foi um show para os olhos do pequeno público que compareceu no final do sábado e domingo quando o sol já estava de volta, mas pouco favoreceu quem precisava de uns pontinhos a mais. Os ventos continuaram soprando de nariz, faltando somente uma rodada para o final. Marat então mostrou muita consistência marcando 75 pontos de média nas três últimas rodadas, e favorecendo-se do erro dos outros, chegou entre os 10 melhores swoopers do mundo e a bandeira do Brasil entre os cinco celeiros dos mais audazes pilotos de velames na atualidade. Além de ser agora, o segundo homem mais rápido a voar um pára-quedas. Jay Moledzki, do Canadá, após três anos de espera, sagrou-se campeão mundial desta vez. O norte-americano Jonathan Tagle passou o bastão para o companheiro de equipe e desta vez ficou com o segundo lugar. Ian Bobo, também dos EUA, experiente e constante, marcou o terceiro lugar e selou a tripla coroa do PD Factory Team. Nosso Marat Leiras ficou em 9º Lugar. O inicio da segunda fase do projeto happyswooper.com "Viva, voe e sorria!", começou com muito aprendizado e marcas significativas. Marat Leiras agradece o apoio de todos que incentivam e estão acreditando que o Brasil vai estar no topo do mundo nesta sensacional modalidade do pára-quedismo dentro em breve. Por Marat Leiras: Agradecimento especial para Luciano Maiorano - pelo apoio incondicional; Gallant Performance Inc. - Mauricio Galante, treinador pessoal e de performance; Performance Designs Inc. - Velames; United Parachute Technologies, LLC - Micron Containers; Alti-2 - Neptune altímetro sonoro e digital; Dependable Concrete USA; Uragon Suits - calça de swoop; Sky Systems USA - Capacetes; CBPq (Jota e Zanella) - documentação; Equipe Azul do Vento (Ricardo Pettená) - documentação; Air Press - toda a equipe - divulgação e apoio; Audrey Leiras - super filha e fã número 1 e finalmente Jennifer Leiras, esposa, amiga e campeã no meu coração. Viva, voe e sorria! Céus azuis para todos.
.

Leia toda a matéria na Revista Air Press. Peça seu exemplar. Assine