Bonito de se ver Nossas entidades administrativas, impulsionadas pela boa gestão da grande maioria de seus dirigentes e pela liderança da atual gestão da CBPq estão contribuindo para o crescimento do nosso esporte Aconteceu em Boituva, sede estatutária da CBPq, nos dias 15 e 16 de março, os trabalhos para finalização do primeiro ano de gestão do atual quadro da CBPq presidido por Jorge Derviche, o Jota. Levando como base o modelo do IPC (International Parachuting Committee), Jota lançou a idéia de um novo modelo para os encontros das Federações (por meio de Assembléias Gerais Ordinárias ou Extraordinárias), onde há mais participação do atleta (se assim desejar) e também mais espaço para debates e discussão, graças, especialmente, à criação dos Comitês Gestores. Os Comitês - Resultados práticos O sábado foi destinado aos debates finais, abertos a todos os interessados - inclusive atletas cadastrados -, sobre os trabalhos dos comitês (atualmente existem sete: o de Instrução e Segurança - CIS; Equipamentos e Manutenção - CEM; Arbitragem; Formação em Queda-Livre, Pára-quedismo Clássico, Pilotagem de Velames e Eventos Artísticos). Aconteceram debates dos comitês de Arbitragem, Pilotagem, Clássico, CEM e CIS com a presença de dez Federações que se dispuseram a vir no sábado para poder discutir o que fosse preciso, para depois simplesmente aprovar o necessário no domingo, quando aconteceriam as Assembléias. Todos os trabalhos e resultados já haviam sido divulgados previamente pela própria CBPq por Nota Oficial ou em seu site ( www.cbpq.org.br), dando assim oportunidade de todos opinarem com antecedência. AGE e AGO Já no domingo, estiveram presentes as mesmas 10 federações, além de ter sido homologada a Federação de Pára-quedismo de Roraima, aumentando para 19 o número de Federações Estaduais no Território Nacional (veja box 1). Uma Federação só é homologada depois que o estado passa a ter três clubes em operação. Enquanto isso não ocorre, clubes podem ser formados no estado, cadastrando-se a uma federação vizinha. As contas do primeiro ano da gestão Jota também foram aprovadas rapidamente. O que chamou a atenção no breve discurso de Jota, foram alguns detalhes que ele fez questão de ressaltar como a aquisição da sede estatutária da CBPq em Boituva (onde foram realizadas as reuniões e Assembléias), alguns apoios a atletas de alto rendimento em recordes, e a transparência e agilidade de sua gestão em publicar seus gastos mensais no site da entidade para qualquer cadastrado poder ter acesso. Na seqüência, os trabalhos dos Comitês foram aprovados (todos previamente discutidos no dia anterior) com uma ou outra discussão de última hora. As Assembléias tiveram início às 8h30 e terminaram antes do meio-dia. Recorde em tempo mínimo e ações realizadas em 365 dias de gestão. Evolução da cartolagem O que chamou a atenção nesse encontro de Federações - que são sempre soberanas à Confederação - foi o clima de profunda amizade e respeito entre os presidentes. Coisa que, no passado, não acontecia com regularidade. Outro ponto interessante é que, a cada ano, nossos dirigentes se aproximarem mais ainda do quadro de atletas. Não são mais meros cartolas do esporte. Não que isso seja bom ou ruim, mas por muitos anos fomos dirigidos por pessoas que mais se importavam com a cartolagem, ou o cargo, do que com o esporte em si (veja box 2). Talvez, por termos dirigentes mais atuantes como atletas, as coisas estejam andando num ritmo mais condizente com as necessidades do pára-quedismo nacional. Conflitos antigos - quase inexistentes Sempre tivemos, dentro do quadro gestor de nosso esporte, conflitos que aconteciam por dois motivos básicos: um de ordem técnica e outro de ordem pessoal. O de ordem pessoal, convenhamos, é fruto da natureza humana. Todos temos um ego que comanda nossas atitudes mais individualistas, vaidosas e por aí vai. Se dosados com sabedoria, isso ajuda a sermos indivíduos melhores e mais evoluídos. Mas, infelizmente, muita água podre já passou pelas nossas Assembléias em forma de brigas, insultos e disputas acirradas pelo poder. E apenas pelo poder e não por ideais que levassem nosso esporte a níveis mais avançados. Hoje, para quem participou das Assembléias que aconteceram no domingo (em tempo recorde por sinal) e das apresentações dos Comitês no sábado, percebeu que as coisas mudaram. E muito. Nossos dirigentes estão mais amadurecidos e discutem abertamente questões importantes para o nosso esporte. Grosso modo, cada um se preocupa genuinamente com os interesses e anseios de sua região (Estado) e do pára-quedismo nacional. O outro aspecto, o técnico, já foi motivo de muita discórdia e tumultos homéricos entre dirigentes, entre instrutores, e entre ambos. Chegou-se a cogitar, à época da gestão Moraes (1994/1995), por idéia de um instrutor mineiro, Jorge Lúcio (que também havia sido presidente da Federação de seu estado), o Conselho de Segurança - CONSEG - a fim de delegar à comunidade pára-quedista, e não aos seus dirigentes que iam e vinham, as normas e procedimentos técnicos referentes à instrução e outros assuntos. Essa excelente idéia acabou não tomando forma e força, mas com a gestão Jota, um modelo similar e mais eficiente foi implantado e, depois de um ano de trabalho, já mostra bons resultados. Para citar apenas um e, de longe, o mais importante, o Comitê de Instrução e Segurança está conseguindo organizar o quadro de instrutores de todo o Brasil, pretende este ano promover seminários técnicos nas cinco regiões do país para buscar a padronização da instrução e será a autoridade máxima no que tange a formação e emissão de licenças profissionais nas áreas de instrução ASL, instrução AFF e salto duplo. Um importante passo para o esporte e talvez o maior feito dessa atual gestão. Tudo conspira a favor, pelo que se pôde perceber quando o CIS apresentou seus planos aos presidentes presentes e as normas e procedimentos agradaram a todos. Resta saber apenas se a decisão do presidente de nacionalizar os termos, vai agradar aos profissionais. Eles não mais serão JumpMasters, mas sim, Mestres de Salto. Da mesma forma, os Riggers serão Técnicos em Pára-quedas. A briga pelas horas de vôo Por que nosso esporte conseguiu evoluir Nosso esporte evoluiu muito nesses últimos anos e a prova disso - e talvez a mudança mais importante - é a inversão de valores quanto à nossa aviação. Há pouco mais de 15 anos, as Assembléias das Federações tinham como ponto alto o momento da distribuição das horas de vôo que a FAB destinava para o uso do pára-quedismo. Eram muitas horas e isso possibilitava por um ponto de vista o desenvolvimento do nosso pára-quedismo (o que de fato auxiliou e MUITO!), e por outro lado, uma maneira fácil e imediata de arrecadação financeira para os presidentes. Poucas pessoas percebiam a época, o quanto àquelas horas eram, por um ponto de vista fundamental, maléfica para a evolução de nosso esporte. Muitos atletas saltavam quando havia "bandeio" (apelido dado à aeronave Bandeirante da FAB para essas missões) aqui ou ali, sempre com uma taxa de inscrição que, convenhamos, deveria ser cobrada para arcar com algumas despesas para organizar o referido evento, mas sempre a arrecadação passava de longe das necessidades de custos e, na grande maioria das vezes, não havia prestação de contas da Federação que organizava o referido evento. Assim, por anos, essa operação manteve o interesse de dirigentes em ocupar seus cargos para "comercializar" essas horas. E ainda, com essa atitude, não tivemos uma mudança cultural que privilegiasse a iniciativa privada, como ocorre hoje. Quando esse quadro começou a ser revertido pela falta de horas de vôo da FAB destinadas ao pára-quedismo, especialmente para nossas competições (nossos campeonatos por muitos anos foram realizados exclusivamente com avião militar sem qualquer ônus), passamos a ser um mercado consumidor interessante à iniciativa provada que se dispusesse a investir em aeronaves para a prática do pára-quedismo. Assim, a iniciativa privada entrou em cena para suprir áreas de salto com aviões modernos, confortáveis, seguros e de custo acessível. Prova disso são os Caravans que operam hoje regularmente no Centro Nacional de Pára-quedismo e também em Manaus. E se levarmos em consideração que Manaus está localizada em um estado com densidade populacional infinitamente menor que o de São Paulo, nesse aspecto Manaus é hoje, proporcionalmente ao número de habitantes do estado, a maior área de salto do Brasil, realizando 600 lançamentos todos os meses. Um exemplo de que o desenvolvimento do nosso esporte está com um constante vento de cauda. As coisas velhas já passaram. O que temos hoje, é puro pára-quedismo. A era dos aviões da FAB, por pura falta de visão e seriedade de nossos dirigentes em usar de forma adequada para promover o crescimento do nosso esporte, passou. Graças a Deus! Quadro Normativo do Brasil Região Norte Fed. Acreana de Pára-quedismo Fed. Amazonense de Pára-quedismo x Fed. de Pára-quedismo de Rondônia Fed. Paraense de Páraquedismo x Fed. de Pára-quedismo do Estado de Roraima x Com operações no Estado do Amapá Não há operações no estado do Tocantins Região Nordeste Fed. Baiana de Pára-quedismo x Fed. Cearense de Pára-quedismo Fed. Paraibana de Pára-quedismo Fed. Pernambucana de Pára-quedismo Com operações nos Estados do Piauí, Maranhão e Alagoas Não há operações nos estados de Sergipe e Rio Grande do Norte Região Centro-Oeste Fed. de Pára-quedismo do Distrito Federal x Fed. Goiana de Pára-quedismo Fed. Pqdmo. Mato Grosso do Sul x Com operações no Estado de Mato Grosso Região Sudeste Fed. de Pára-quedismo do Rio de Janeiro Fed. Espírito-santense de Pára-quedismo Fed. Mineira de Pára-quedismo x Fed. Paulista de Pára-quedismo x Região Sul Fed. Gaúcha de Pára-quedismo x Fed. Paranaense de Pára-quedismo x Fed. Catarinense de Pára-quedismo Realizações da primeira gestão Jota Março 2.007 17 - atual gestão assume o mandato. Participação na primeira reunião do Conselho consultivo da ANAC. CBPq é empossada em uma das 2 cadeiras voltadas ao aerodesporto de um plenário composto por 18 membros. Abril 2.007 Instalação dos Sete Comitês Gestores Assembléia Geral Extraordinária que modificou profundamente o Estatuto, criando uma nova forma de gestão através dos Comitês. Seus membros, a partir de 2.009, serão eleitos diretamente pelos pára-quedistas. Quanto a este acontecimento, na opinião do atual presidente: "Foi certamente a mais importante e objetiva de todas as Assembléias da CBPq desde sua fundação em 1.974". Maio 2.007 Site da CBPq reformulado, tornando-se bem mais útil para as entidades organizacionais e atletas filiados. Fonte de consulta e informação do pára-quedismo brasileiro, com ferramentas básicas para fiscalização e divulgação dos trabalhos. Prestação de contas mensal, listagem de atletas e profissionais, todos os endereços das Federações filiadas e os nomes e dados de seus dirigentes, listas de ranking e muitas outras informações. Junho 2.007 A CBPq emite um manifesto público em relação a séria de acidentes fatais do primeiro semestre de 2.007. Falando da responsabilidade dos instrutores e dos cursos clandestinos que acontecem no país. Acesse o site para lê-lo. A CBPq começa auxiliar os atletas interessados e possibilitados em receber a "Bolsa Atleta" do Governo Federal, esforços que surtiram efeito na seqüência, com algumas equipes e atletas sendo contemplados com valores substanciais. Julho 2.007 O Comitê de Pára-quedismo Clássico consegue resgatar a mais antiga e tradicional modalidade competitiva de nosso esporte, a Precisão, com apoio inicial das federações do Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina, realizando suas competições regionais. O Brasileiro aconteceria mais tarde, depois de 14 anos, com inestimável apoio da Brigada de Pára-quedismo do Exército Brasileiro Agosto 2.007 Participação na reunião do Conselho Consultivo da ANAC em Brasília, onde foi criada a Câmara do Aerodesporto, na qual a entidade é destacada como uma das cinco cadeiras daquela câmara. Instauradas as Comissões Disciplinares para julgarem os quatro acidentes fatais ocorridos no ano. Seu parecer, conclusões e penalidades foram definidas no decorrer. Setembro 2.007 Instaurada Comissão Disciplinar para analisar e julgar denúncia de falta de ética de instrutor. Seu parecer resultou posteriormente na cassação da credencial deste instrutor. No dia 13 é inaugurada em Curitiba a sede administrativa da CBPq no Bairro do Bacacheri, berço do pára-quedismo sul brasileiro e paranaense. Aquisição de sede própria em Boituva, pelo valor total de R$ 25.000,00 pagos à vista. Na inauguração oficial dia 29, entre os presentes estava a Prefeita Municipal de Boituva. Outubro 2.007 É realizado o evento nacional de maior importância da CBPq nos últimos anos. Por iniciativa do Comitê de Instrução & Segurança, o CIS, nos dia 20 e 27 aconteceram em diversas áreas de todo Brasil o "DIA DA SEGURANÇA", com atividades diversas, voltadas à segurança do esporte. Praticamente todas as federações filiadas fizeram algo em favor da idéia. Esse evento acontecerá anualmente em outubro, próximo ao dia do pára-quedista (22). instalada na sede de Boituva uma secretaria, com atendimento todo final de semana. Novembro 2.007 Em visita ao COMGAR, a presidência da CBPq atuou no sentido de liberação de HDV´s da FAB para atividades nas diversas regiões e também focando o recorde brasileiro de maior formação que deverá ser realizado em julho de 2008. É lançado o programa de incentivo aos atletas de alto rendimento da CBPq. Um atleta participante do Recorde Mundial de Maior Formação de Velames é o primeiro beneficiado. A Comissão Disciplinar encarregada, cassa a credencial do Instrutor Marcelo Silva Durães por ser reincidente em questões de quebra de ética. Brasileiro de Precisão com inestimável apoio da Brigada Pára-quedista. Realizado o Campeonato Brasileiro de Formações em Queda Livre Divulgado no site o Calendário Oficial da CBPq para o ano de 2.008 As comissões disciplinares suspendem por seis meses os instrutores envolvidos nos casos fatais ocorridos no ano de 2.007. Documentações no site Dezembro 2.007 Campeonato Brasileiro de Eventos Artísticos Graças ao empenho do Comitê de Eventos Artísticos, o Brasil torna-se um dos únicos três países do mundo (junto com França e Holanda) a realizar um campeonato nacional de Trabalho Relativo Vertical Realizado o Campeonato Brasileiro de Pilotagem de Velames Janeiro 2.008 São instituídas novas normas para renovação de cadastros de Mestres Salto, Instrutores, Pilotos Tandem e Diretores de Curso da CBPq. O CIS começa a receber a documentação dos profissionais conforme as novas normas instituídas. Março 2.008 A CBPq realiza reuniões em Brasília visando a organização e realização do Recorde Brasileiro e Sul Americano de Maior Formação previsto para Julho de 2008. O CIS decide fazer cinco seminários de reciclagem a instrutores nas cinco regiões do país, além de anunciar os primeiros cursos de formação de Mestres Salto, Instrutores e Pilotos Tandem, de acordo com as novas regulamentações. Balanço geral No primeiro ano de gestão foram emitidos 38 Boletins Informativos, seis revistas eletrônicas "CBPq em Revista", 45 ofícios normais, três ofícios circulares, cinco declarações para atletas e três solicitações para dispensa de trabalho. Além disso, cada campeonato nacional, teve uma reunião de seu referido comitê, aproveitando a presença maciça dos atletas daquela modalidade.
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