A primeira do ano Fatalidade com pára-quedista experiente em Boituva aponta para problemas cardíacos relacionados a recente cirurgia devida a condição congênita Aconteceu no Centro Nacional de Pára-quedismo a primeira fatalidade do ano envolvendo um pára-quedista. Carlos Alberto Gonçalves, 45, natural de Oswaldo Cruz, SP, e instrutor ASL e AFF pela CBPq, saltava há mais de 20 anos e era muito querido pelos pára-quedistas do CNP, sempre de bom humor e cordial com todos. Carlinhos, como era conhecido, era filiado à Federação Baiana de Pára-quedismo e pretendia se transferir para a Escola Brasileira (localizada no CNP), depois de passar uma temporada de mais de 15 anos saltando na Bahia, onde auxiliou na formação de alunos baianos pela Sky Axé, e também em Rondônia. No ano passado resolveu realizar instrução de vôo para se formar Piloto Privado (PP) e para isso teve que fazer alguns exames de saúde na Bahia, onde residia, inerentes à formação desse profissional na aviação. Quando da realização de exames cardiológicos, foi detectado um problema congênito em seu coração que necessitaria, segundo especialistas, de um implante de válvula no coração. Voltou para São Paulo e foi buscar outras opiniões médicas que acabaram por corroborar a primeira. Foi em julho de 2007 que Carlinhos se submeteu à cirurgia de implante, realizada com sucesso, e passou a seguir à risca as orientações médicas para seu retorno às atividades normais. Aos poucos foi liberado para a prática de atividades físicas e em seguida, após realizar exames ergométricos, foi liberado a saltar de pára-quedas. Foi então que no dia 2 de março deste ano Carlinhos subiu para fazer o seu segundo salto do dia. Seu amigo de longa data, Aêdo Sória, o Gaúcho, acompanhou-o durante o dia. "Ele estava tranqüilo e sem qualquer sinal de fadiga ou dor". Carlinhos subiu para lançar um aluno a 4.500 pés e, depois, a 12.000 pés para realizar um nível quatro com um outro aluno. Segundo relatos do aluno e do Gaúcho - eu estava em solo fazendo o rádio - o salto transcorreu sem problemas e o aluno comandou na altura prevista ( 5.000 pés). Depois disso, Carlinhos continuou em queda livre até a altura de disparo de seu CYPRES. Gaúcho acredita que Carlinhos teria falecido no intervalo do comandamento do aluno até a abertura do DAA, pois logo que o reserva abriu, Gaúcho observou que Carlinhos estava inerte: "Deu pra ver que ele estava inconsciente... Pedi ao primeiro aluno que já havia pousado para que acionasse o resgate. Continuei a fazer o rádio para o segundo aluno até que ele pousasse". Assim que o segundo aluno pousou, Gaúcho saiu dirigindo em direção ao suposto local de pouso de Carlinhos, mas não o encontrou. Momentos depois, recebeu uma ligação do primeiro aluno, dizendo que o haviam encontrado, passando sua localização. Ele já estava morto no local com fratura de fêmur, atribuída ao pouso de cauda. Mais tarde, o laudo do IML de Itapetininga constataria vários coágulos no coração que entupiram vasos locais. Em teoria, isso teria levado Carlinhos a um ataque cardíaco fulminante entre 5.000 e 1.300 pés (altura de acionamento do CYPRES), ocasionando sua morte. Seu corpo foi velado e enterrado no dia seguinte na cidade de Boituva, SP. Conclusões Tendo como base o histórico clínico, a hipótese mais provável é que ele de fato veio a falecer em queda livre, vítima de complicações relacionadas à sua condição cardíaca. Ainda pode-se especular sobre morte ocasionada pelo pouso (de cauda e sem controle), depois de perder a consciência no salto, mas essa hipótese é menos provável. Uma fatalidade lamentável com um pára-quedista e instrutor exemplar que deixará saudades a quem o conhecia. Colaborou Aêdo Freitas Sóri
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