DAAs com problemas? Seja por uso indevido, ou por problemas técnicos específicos, ou ainda, por falha na produção, os DAAs mais utilizados no momento continuam a realizar sua principal função: salvar vidas. Mas ler o seu manual, é fundamental para operá-lo Por Ricardo Contel Recentes disparos acidentais envolvendo unidades Vigil em pouco mais de 20 dias em solo brasileiro, levaram a especulações sobre a confiabilidade do disparador lançado no mercado em 2003. Numa manobra rápida e transparente, o fabricante belga enviou ao Brasil seu representante - Willy Boeykens - que, munido de todo o aparato eletrônico, realizou leitura nas três unidades envolvidas nos incidentes, tendo como testemunha Ricardo Contel, editor da Air Press, Renato Acerbi, sócio-gerente da oficina de manutenção Air Loft e Marcelo Peragalo, proprietário da TSO-D, loja baseada em DeLand, FL. O intuito, segundo Willy, era de realizar as primeiras avaliações com o maior número possível de testemunhas para não haver dúvidas quanto ao ocorrido, ou criar mais especulações ao enviar a unidade para o fabricante, sem uma inspeção à vista dos interessados brasileiros. O resultado vem narrado a seguir: Havia três unidades a serem examinadas. Uma do modelo antigo, Vigil 1, e outras duas do modelo novo, Vigil 2. Todas as unidades com suspeitas de disparos acidentais, o que gerou muita especulação acerca da confiabilidade do disparador. Depois de duas horas reunidos em uma sala, os relatórios preliminares com relação às unidades avaliadas já acenavam para as reais causas dos disparos e, uma semana depois, com as unidades retornadas ao fabricante, relatórios finais e conclusivos foram enviados à redação da Air Press. Unidade 1 - Vigil 1 #5107 Histórico: O incidente ocorreu em Boituva, SP, com equipamento student. A unidade estava propriamente ajustada para o modo student e a aproximadamente 400 pés, quando o aluno se encontrava em procedimento final para pouso, a unidade disparou o reserva e o aluno pousou com o pilotinho em reboque, sem que a free bag saísse e sem qualquer outro transtorno causado. Primeira leitura: Avaliando os registros dos últimos saltos (O Vigil registra em sua memória os últimos dez saltos em média), foi constatada uma leitura atípica, como se a unidade tivesse feito vôos baixos e lançamentos mais ainda. Os registros, aparentemente, mostravam uma pane de leitura ou algo similar. Conclusão do fabricante: Após quatro dias depois de enviar esses dados ao fabricante, a conclusão foi de que a unidade teve um "problema técnico de instabilidade do micro processador". Segundo ainda as declarações do fabricante, "temos conhecimento desse raro risco potencial de pane e todas as unidades produzidas após outubro de 2006, foram aprimoradas para garantir maior estabilidade e confiabilidade nessa área". A unidade foi imediatamente trocada por um Vigil 2 no dia seguinte à leitura dos dados. Unidade 2 - Vigil 2 #8367 Histórico: A unidade estava sendo utilizada em um equipamento student para atividades em Blumenau, SC. No segundo lançamento do dia, o Vigil disparou na porta do avião (um Cessna) enquanto o aluno estava na porta, pendurado no montante, prestes a ser lançado. Ele pousou sem qualquer ferimento e nada ocorreu além da abertura prematura. Esse talvez tenha sido o caso mais grave e preocupante dos três. Primeira leitura: Ao acessarmos o sistema da unidade com o histórico, foi constatado que ela estava regulada para 1.200 pés de altitude e em modo tandem. Isso explicaria o porquê de a unidade ter disparado próximo da altura de lançamento do aluno (3.800 pés, segundo nos relatou o instrutor responsável pela operação). Conclusão do fabricante: Essa unidade mostrou os últimos 11 saltos. Em oito deles, a unidade estava regulada em modo Student. Mas nos últimos três saltos, em modo Tandem. Em todos os saltos, a unidade estava ajustada para saltos no nível de 1.200 pés acima da altura de decolagem. No salto fatídico, o aluno vai para a porta do avião a 3.800 pés, o que seria muito próximo da altura de acionamento da unidade. Com a variação de pressão na porta da aeronave, isso foi o suficiente para o disparo da unidade. Assim sendo, o Vigil funcionou corretamente. Unidade 3 - Vigil 2 #10664 Histórico: Nesse caso, a unidade estava ajustada em modo Pro e utilizada em um salto a baixa altura (4.000 pés aprox.) para treino de pouso de alta performance. O proprietário utilizava um Crossfire 2-129 e ao realizar sua manobra final para pouso - uma curva de 180° - seu reserva foi disparado próximo à superfície e os dois velames estavam inflados ao atingir o solo. Por sorte, ele caiu na água - pois realizava salto em um lago na cidade de Carazinho, RS, e nada sofreu. Primeira leitura: Conforme já havia sido informado pelo proprietário, a unidade havia acusado "CTRL ERR" ao realizar duas tentativas de ligá-la. Nesses casos, quando a unidade acusa esse erro, automaticamente ela desliga e o fabricante orienta o usuário que a unidade seja enviada imediatamente para análise e reparo (página 14 do manual do produto). Assim, sua leitura era confusa e nem ao menos o salto do disparo estava registrado na seqüência, mas sim num outro salto que nem sequer ocorreu. Conclusão do fabricante: Sempre que uma unidade Vigil registrar algum erro durante o processo de liga-la, ela deve ser enviada imediatamente de volta ao fabricante. No caso específico dessa unidade, após analisada na Bélgica, havia um defeito em um das soldas que liga o sensor que mede a pressão externa (responsável pela leitura de informações do meio externo) e envia ao processador. Em algumas situações, não estava havendo contato eficiente. Importante salientar que a unidade não funcionou corretamente devido à falha técnica, e não por outra razão qualquer. Se uma unidade apresenta erro, dever ser enviada ao fabricante. Sempre! Federação francesa no pé O intuito de uma Federação esportiva (no nosso caso temos uma Confederação), é de zelar pelo desenvolvimento do esporte que ela representa, e também de manter - no caso especial do nosso pára-quedismo - a segurança em nossas atividades. Num desses boletins de segurança, expedidos pela Federação Francesa (datado de março de 2008), os modelos mais antigos do disparador Vigil 1, vinham com um cortador de metal, fabricado de tal forma que um anel plástico protegia o loop do reserva, ao passar pelo orifício do cortador. Um incidente em solo francês, quando um loop foi danificado pelas bordas desse anel plástico, fez surgir a necessidade de troca dos cortadores antigos (com os anéis) pelos mais novos (feitos em aço inoxidável e sem bordas cortantes). O fabricante atribuiu o incidente pela má dobragem e, ao contrário do que a Federação queria, não arcaria com as despesas de trocas dos cortadores antigos pelos novos. Os custos seriam arcados pelos proprietários das unidades (estimado em US$50,00 por peça). Num outro boletim, emitido quase 45 dias depois, a Federação Francesa alerta para uma falha na produção do novo cortador (em aço inox), que tem sido responsável por aberturas indesejadas (graças à fricção do material com o loop) em território francês. A Federação orienta a seus federados que troquem imediatamente os cortadores. A Vigil reconhece o erro na produção da peça de seu fornecedor norte-americano, mas se vê impossibilitada de rastrear quais unidades estariam afetadas. A Federação francesa orienta àqueles que possuem unidades com fabricação entre agosto de 2006 e junho de 2007, que troquem seus cortadores. E por fim, num último boletim, emitido pela Federação Francesa um dia depois, levanta a questão de ferramentas sendo utilizadas por dobradores de reserva para instalação do Vigil, que estariam danificando a parte interna do cortador, e assim, criando pontos de atrito com o loop do reserva. Conclusão Regra geral, é importante que Federações como a francesa, ou outra instituição dentro do nosso esporte, tome ações quanto a fatos que possam comprometer a segurança em nosso esporte. O serviço do Rigger, que realiza as montagens e dobragens dos sistemas que saltamos, deve ser sempre realizado com atenção especial em pontos críticos e a instalação e inspeção de um DAA é uma questão fundamental hoje em dia. Esses aparelhos são responsáveis por uma grande revolução na segurança em nosso esporte e quanto mais atletas utilizarem esses dispositivos, especialmente o modelos Cypres e Vigil, que já provaram sua confiabilidade de anos de uso e milhares de unidades em uso, menos fatalidades teremos em nosso esporte. Ainda quanto aos rigger/dobradores, um ato corriqueiro de certos profissionais, é o de redobrar um sistema com um disparador já vencido - no caso específico, unidades Cypres 1 com data de validade expirada - o que acarretará um sucateamento desses aparelhos e uma grande possibilidade de mau funcionamento. Isso, no instante da saída da aeronave, pode ocasionar a sua queda e a morte de todos a bordo. E por fim, cabe ao fabricante tomar atitudes enérgicas para garantir o bom funcionamento de seu produto e a segurança de seus usuários. Quem tiver dúvidas quanto ao seu Vigil e o cortador que utiliza, basta entrar em contato com o fabricante (ou também com o atual chefe do Comitê de Equipamento e Manutenção da CBPq pelo e-mail rcontel@airpress.com.br) e passar os dados de sua unidade. Se tiver fora das novas especificações, certamente a peça será trocada, se o usuário assim desejar. Recall de unidades Cypres Um Boletim de Serviço emitido pela Airtec, fabricante do disparador Cypres no final de abril, informava sobre dois incidentes ocorridos na Austrália de disparos acidentais. Segundo o fabricante, em ambos incidentes, não houve feridos. Depois de muito examinar as unidades, chegou-se à conclusão que o problema está em sensores defeituosos. Mesmo com os testes rigorosos que duram até 14 dias (período estimando de produção e testes de cada unidade) na fábrica localizada na pequena cidade alemã de Wünnenberg, a Airtec, por precaução, está emitindo esse boletim, solicitando que unidades de determinados lotes sejam retornadas para uma inspeção geral do sistema. Elas podem ser enviadas à matriz na Alemanha, ou para a SSK, localizada nos EUA. Tentando evitar muito transtorno ao seu cliente, a Airtec ainda informa que enviará junto com cada unidade averiguada, um cheque de US$70,00, além de realizar o serviço sem custos e o envio de volta também por conta da empresa. Como verificar o número de série de seu Cypres 2 Para verificar o número de série de sua unidade, sem ter de abrir o container de seu reserva, basta olhar na caderneta de dobragem do sistema. Se a montagem foi conduzida por um rigger competente, ele estará nos dados das partes (container, reserva e DAA) da caderneta devidamente anotado. Caso queira comprovar se o número de série está correto, basta efetuar o processo de ligar a unidade com os três toques no botão vermelho. Ao terceiro toque, segure pressionado. Isso levará a unidade a perguntar de 30 em 30 pés (ou 10 em 10 metros) a altura de elevação do salto a realizar, em casos de saltos em diferentes altitudes da área de decolagem. Esse processo vai até a elevação de 1.500 pés, para mais ou para menos. A partir daí, a unidade mostra o número de série por alguns segundos e depois a data da próxima revisão. Mais info em www.cypres.cc Endereços para onde enviar as unidades: Nos EUA: SSK Industries.Inc 1008 Monroe Road Lebanon, OH - 45036 Na Alemanha: Airtec GmbH Mittelstrate 69 Bad Wünnenberg - 33181 Unidades que devem ser enviadas para revisão (data de fabricação entre agosto e dezembro de 2006): Expert 26798 A 26859 27148 A 27179 28147 A 28172 28174 A 28180 28182 A 28187 28189, 28191 A 28201 28203 A 28261 28326 A 28347 28349 A 28362 28364 A 28454 28456 A 28496 28498 A 28517 28709 A 28713 28715 A 28761 28763 A 28822 28824 A 28836 28929 A 28992 29056 A 29139 30091, 30093, 30094, 30095 30097 A 30101 30103, 30104 A 20108 30110 A 30121 Student 27180 A 27211 28901 A 28905 28907 A 28919 Tandem 27212 A 27219 27221 A 27242 28262, 28264 A 28270 28272 A 28286 28288 A 28292 29205 A 29218 Speed 29172
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