Recorde Feminino de For mação em Queda Livre (de inFormação também) A união feminina conquista um novo recorde no país e mostra que com um bom planejamento e comprometimento outros recordes poderão ser estabelecidos Por Flávia Lopes Depois de quatro anos sem saltar e com poucos 60 saltos, acabei retornando definitivamente ao esporte há pouco mais de um ano. Uma das primeiras pessoas que busquei foi meu instrutor de AFF, Pedrosan, que imediatamente me incluiu na lista das mulheres que estariam envolvidas nos treinos. Este foi o primeiro convite ao Recorde que recebi. Em primeira instância não me senti segura de participar, pois um recorde na minha opinião era coisa pra Pros. A insegurança durou... segundos. E então a manicaca aqui estava decidida. Afinal, o máximo que poderia acontecer era eu não ser convocada oficialmente mas pelo menos teria me desenvolvido e conhecido outras atletas. Participei de todos os treinos, aproveitei cada segundo de queda livre, cada segundo dos briefings e debriefings, cada segundo no solo, cada nova (in)Formação. Além dos treinos em Boituva, investi também em túnel, o que fez enorme diferença durante todo o caminho posterior ao Recorde. E durante o ano de treinos fui ficando ainda mais apaixonada por voar. A partir daí resolvi que queria, sim, ser convocada oficialmente. Queria realmente participar do Recorde, disputar uma vaga, nem que fosse pra ficar no banco! E o páreo não estava fácil. Acompanhei a dedicação de muitas outras mulheres que me surpreenderam. Pela competência, pela garra, pela vontade. Não pensem que é fácil juntar tantas pára-quedistas de lugares tão diferentes, com condições tão distintas, casadas, separadas, com filhos, e que treinam normalmente separadas. Investimos muito em todos os sentidos. Estabelecemos novas boas relações em solo e no céu. E acho que toda esta energia deu ainda mais credibilidade ao Recorde, contando com o ótimo trabalho das LOs e de uma organização que foi fundamental. Pessoas que acreditaram e construíram esta conquista, junto com as atletas. Poderia dizer que o Recorde não foi quebrado com um 24-way, mas pelo menos com um 30-way. E a iniciativa deve ficar de exemplo e servir de inspiração para a realização de outros eventos assim - que só trazem coisas boas a todos que têm relação com o esporte. O momento mais tenso dos treinos - quando cogitamos quebrar este recorde fora do Brasil por "dificuldades logísticas" - me mostrou que ainda temos muito a caminhar a nosso favor. Coloquemos uma grande angular nos nossos olhos para enxergar o mundo à nossa volta: acreditar e, principalmente, colaborar com um recorde de FQL (e outros eventos) é benéfico aos atletas, às escolas, aos pilotos e donos de aviões, aos hotéis, aos restaurantes. Todo mundo sai ganhando. E se esta visão não nascer em nós, fica bem difícil divulgar o esporte de uma boa maneira. Acho que poder trazer esta reflexão com todos nós envolvidos com o pára-quedismo é uma das grandes conquistas deste recorde!!! O desenvolvimento do nosso esporte depende de todos. Seja como for, o fato é que o 24-way feminino, novo Recorde Brasileiro e Sul-americano, está aí, na história do pára-quedismo brasileiro. E eu tenho muito orgulho de ter retornado ao esporte, de ter me dedicado a este recorde, de ter participado do Recorde oficialmente. Ah! sim! Depois daquele primeiro convite ao recorde, recebi também o oficial poucas semanas antes do evento. Estar entre as 28 convocadas foi um grande reconhecimento de todo meu trabalho. O primeiro grupo seria com 20 meninas que, conseguindo o primeiro Recorde, dariam chance às outras oito de entrarem aos poucos e aumentarem a marca. Poderia dizer que entrei, sim, no banco de reservas! Aí.... bom, uma ajudinha linda da natureza colocou um bebê na barriga de uma das atletas que estava entre as 20. Na impossibilidade de participar, ela teve que abrir mão e..... lá estava eu, já com pouco mais de 130 saltos, convocada para o slot 8 do primeiro grupo. Alegria e uma troca maravilhosa para nós duas! Quem teve a oportunidade de acompanhar o evento de perto pôde sentir a vibração e o comprometimento das atletas, organização e LOs. Literalmente vestimos a camisa cor-de-rosa do Recorde. Eu nunca havia participado de um Recorde ou outro evento de FQL. O fato é que a vontade era tanta que eu (acreditem, só faria isso pelo pára-quedismo) acompanhei a mulherada em toda a rotina: seis e meia da manhã, café; sete horas, alongamento; sete e meia, primeiro briefing; oito e dez, segundo briefing equipadas; oito e meia, primeira decolagem. Concentração e expectativa a mil dentro de cada uma. Horários respeitados, sete saltos realizados e um final de semana emocionante. E como valeu!! dois recordes nos três primeiros saltos!! O grupo todo - agora falo do 30-way (ou mais) onde incluo também São Pedro - foi espetacular. A mulherada arrasou, está de parabéns e.... eu, não sou mais manicaca!!!!! E parabéns pelo terceiro recorde: 24 mulheres juntas sem falar por 50 segundos! Amém! Voar é um privilégio. Blue skies!
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