De volta aos velhos tempos

O Resumo das Fatalidades Americanas de 2008
Por Paul Sitter
Tradução Valter Gonzales
 
Trinta pessoas morreram em 2008 praticando paraquedismo. Este número representa três a mais que a média anual de mortes ocorridas nos últimos 10 anos. O que mais incomoda é que em 2007, o paraquedismo americano sofreu o menor número de fatalidades na última década. Além disso, 2007 foi o terceiro ano consecutivo em que observamos um declínio do número de acidentes, uma tendência dos últimos seis anos. Parecia que o esporte estava se tornando seguro. Melhores equipamentos, treinamento sólido e boas práticas estavam finalmente valendo a pena. Entretanto, as circunstâncias que envolveram os acidentes em 2008 mostram que não melhoramos como gostaríamos.
Enquanto os relatórios de acidentes que aparecem na Parachutist e no site da USPA – United States Parachute Association – nos dão uma visão detalhada dos acidentes individuais, este artigo foi escrito para se identificar as tendências emergentes e para lembrar-nos das situações que já eram mais perigosas. Como paraquedistas, instrutores e operadores de áreas de saltos, podemos evitar tais acidentes; a única coisa mais dolorosa do que aprender pela experiência, é não aprender pela experiência. As fatalidades serão agrupadas em categorias para que as situações problemáticas possam ficar mais óbvias e para que possamos comparar o ano de 2008 com os anos anteriores. Listados em cada seção estão os números de paraquedistas que morreram naquela categoria, de acordo com a porcentagem do total de mortes ocorridas com os paraquedistas americanos em 2008.
Não comandou / comandou a baixa altura (6-20%)
Nesta seção estão incluídos aqueles paraquedistas que tiveram o tempo que normalmente seria adequado para abrir o paraquedas principal ou reserva, mas não o fizeram. As mortes nesta categoria decresceram radicalmente nos últimos anos como resultado da aceitação do uso de dispositivos de ativação automáticos (DAAs) pela maioria dos atletas. No princípio do paraquedismo americano, eles não eram disponíveis e quando começaram a aparecer, eram apenas usados por alunos e paraquedistas militares. Hoje, ainda que nem todos os usem, de acordo com o fornecedor Ray Ferrel da Action Air Parachutes, mais que 75% dos atletas utilizam tal dispositivo. Um outro dispositivo que influenciou na redução desta categoria é o Reserve Static Line - RSL (também conhecido com sistema Stevens). Quando o velame principal é desconectado, o RSL abre o reserva no momento em que o principal é liberado. A maioria das mortes nesta categoria em 2008 mostra o valor destes dois dispositivos.
  • Dois paraquedistas nesta categoria tiveram pane no velame principal. Ambos desconectaram o principal em tempo normalmente adequado para o acionamento do reserva; entretanto, nenhum dos dois conseguiu comandar o reserva a tempo. Nenhum dos equipamentos desses dois atletas possuía DAA ou RSL; um deles tinha tais dispositivos, mas não os utilizou no salto. Enquanto um relatório estava incompleto, o outro relatório descreve uma série de circunstâncias que qualquer atleta acharia desafiadoras. O paraquedista estava usando macacão de câmera e tinha afrouxado o tirante de peito e desconectado a parte inferior das asas do macacão antes de perceber que havia uma pane. Após desconectar o principal, é provável que as asas e o afrouxamento do tirante tenham dificultado a localização do punho do reserva.
  • Três outros atletas nesta categoria morreram por razões que podem ser facilmente entendidas:
- um estava utilizando um equipamento emprestado e pode ter encontrado dificuldade na localização dos punhos;
- outro teve muitos fatores de risco - salto de helicóptero a 2000 pés, utilização de wing suit e uso de sistema de harness e container que não foram desenvolvidos para o paraquedismo;
- um problema de saúde parece ter incapacitado um atleta durante a queda livre.
Nenhum deles utilizava um DAA.
- Um atleta, equipado com DAA, não comandou o principal. Apesar do DAA estar ativado, o velame reserva não abriu completamente antes do impacto. Não é sabido porque ele não comandou seu principal, se o DAA funcionou apropriadamente, se ele estava utilizando um altímetro sonoro ou se havia um problema no reserva.
 
 Dicas de Segurança
  • Utilize um DAA ou RSL. Eles não impedem as panes, mas funcionam como proteção nesses casos.
  • Minimize o risco quando utilizar equipamento emprestado. Faça a localização dos punhos tanto no solo ou em queda livre; um simples plano de salto e altitudes de comando mais altas que as normalmente praticadas podem diminuir os riscos, quando utilizando um equipamento desconhecido.
  • Pratique os procedimentos de emergência. Se bem pensados e treinados, os procedimentos de emergência eficazes e prontamente executados são as melhores respostas aos problemas, tanto no comando do velame principal quanto no acionamento do reserva.
  • Altímetros sonoros são auxílios altamente eficazes para a consciência de altura.
Panes (5-17%)
Uma fatalidade é colocada nesta categoria quando o comando se dá a uma altitude apropriada, mas o velame principal não funciona como deveria e o sistema de reserva não é ativado a tempo. Ainda que estas fatalidades com o principal sejam raras, elas podem ocorrer em qualquer salto.
  • Três paraquedistas tiveram abertura forte:
- Dois deles tiveram abertura forte a ponto de ficarem incapacitados para tomar uma ação, e outro a ponto de danificar o velame. Ninguém viu os dois primeiros manobrarem o velame após a abertura. Ambos se dirigiram para o pouso em espiral, um deles porque um freio se soltou durante a abertura e o outro por motivos não sabidos.
- O terceiro atleta teve uma abertura forte em seu velame de carga alar muito alta, momento em que seu sistema de comando removível causou um problema de controle. Ele optou por efetuar as manobras com os tirantes trazeiros. Próximo ao solo, o velame entrou em giro, e o atleta não conseguiu pará-lo.
  • Outro velame de 89 pés quadrados com carga alar muito alta abriu em giro; o atleta não desconectou. A razão da queda rápida ou a alta força G causada pelos giros podem ter sido a causa da incapacidade do atleta em efetuar uma correção eficaz.
  • Após um voo normal, o velame de um cameraman entrou em giro. A aproximadamente 500 pés, ele desconectou. A abertura do reserva iniciou-se a aproximadamente 200 pés, mas o reserva não abriu completamente quando ele atingiu o solo. O atleta não estava usando um RSL.
Dicas de Segurança
  • A dobragem correta de um velame de porosidade zero é crítica. Em algum momento durante a evolução do design de um velame, tanto o tecido quanto as linhas tornaram-se elásticos. Com o advento dos tecidos de porosidade zero e linhas Spectra, a colocação do slider, a maneira como o velame é dobrado e as linhas armazenadas podem fazer a diferença entre uma abertura suave e uma parada repentina. Além disso, ainda que as panes não sejam boas, uma pane de um velame com carga alar muito alta pode ser muito pior devido à rápida perda de altitude e a violência do giro. Siga as orientações de dobragem dos fabricantes.
  • Tome uma rápida decisão - vou ou não vou? O cheque funcional após a abertura determina se um velame oferece navegabilidade e se há condições para se efetuar um pouso seguro. Pequenos problemas de velame a 3000 pés normalmente não podem ser resolvidos, apenas piorar. Com um velame dócil, como os utilizados por alunos, há uma enorme gama de situações que podem ou não ser um problema; um freio solto durante a abertura pode ser facilmente balanceado através da utilização do tirante trazeiro oposto e, então, corrigido, solta-se o freio que ainda está feito. Por outro lado, a diferença entre um velame em perfeito estado de funcionamento e um velame que oferece risco pode ser mínima, considerando-se velames de alta performance. Com um problema mais sério em um velame com carga alar alta, livre-se dele rapidamente. Velames de alta performance apresentam panes de alta performance.
  • Não faça testes com seu velame próximo ao solo. Muitos dos velames de hoje podem girar tão rapidamente que os twists podem ser causados depois de uma curva agressiva. Os twists podem facilmente tornarem-se giros e, se ocorridos próximo ao solo, podem ser fatais.
Problemas com o reserva (5 - 17%)
Por serem a última chance do paraquedista, os velames reserva são desenhados para serem bastante confiáveis. No entanto, da mesma forma que qualquer outra coisa, eles podem falhar.
  • Dois paraquedistas morreram quando o altímetro de um piloto de salto duplo parece ter deixado de funcionar, o que resultou em um comando a baixa altura. Enquanto o velame principal estava abrindo, o DAA disparou. O piloto desconectou o principal mas ele ficou enroscado. Devido a isto, o reserva teve problemas para abrir completamente.
  • Em dois incidentes, o pilotinho do reserva ou a bridle se enroscaram no paraquedista. Em uma das situações, isto se deu com a abertura do reserva imediatamente após a desconexão do principal. A outra situação ocorreu devido à abertura do reserva enquanto o atleta estava instável em queda livre.
  • Um incidente ocorreu quando um aluno de primeiro salto desconectou durante os giros abaixo de 1000 pés. Apesar de estar utilizando tanto o DAA quanto o RSL, o reserva não abriu completamente antes do impacto.
Dicas de Segurança
  • Use o velame reserva assim que for possível. O número de relatórios de fatalidades onde consta “o reserva não abriu completamente” ou “duas bonequinhas ficaram dentro da bolsa” é bastante triste. Para aqueles paraquedistas, mais 50 pés poderiam ser suficientes. Ainda que a decisão de usar o reserva não seja fácil, pois significa que você está apostando a sua sobrevivência no funcionamento correto de apenas um velame, é uma decisão que não deve ser adiada. O velho ditado da aviação, “Nada é mais inútil que a altitude acima de você”, também se aplica ao paraquedismo.
  • Comandar o paraquedas é mais importante que a posição do corpo. Uma posição estável realmente oferece a melhor posição para o lançamento do pilotinho. No entanto, dois paraquedistas morreram como resultado de instabilidade durante o comando do reserva - nunca sacrifique a altitude tentando manter uma posição estável. Houve mais mortes de paraquedistas que ficaram sem altitude suficiente ao tentar recuperar a posição estável de barriga, do que mortes como resultado de uma abertura instável do principal ou do reserva.
  • Siga as recomendações de peso dos fabricantes. Muitos paraquedistas com velame principal de alta performance pensam que a mesma carga alar é adequada para o velame reserva. E não é, pois o reserva tem de funcionar. Um pequeno problema em um velame com carga alar alta torna-se um grande problema e, um grande problema em um velame reserva, pode ser desastroso.
Colisões (6 - 20%)
Uma morte entra nesta categoria quando um paraquedista atinge alguma coisa durante o salto, normalmente um outro paraquedista em queda livre ou na navegação, mas esta categoria engloba também colisões com a aeronave.
  • Um paraquedista colidiu com a aeronave de lançamentos logo após a saída. A aeronave bimotor passou sobre a área de saltos a 6000 pés para fazer o lançamento de dois paraquedistas enquanto subia para a altitude de lançamento do restante dos paraquedistas. Os dois atletas saíram da aeronave enquanto ela ainda estava em movimento de subida. O piloto não havia autorizado a saída. O primeiro fez uma boa saída, e o segundo saiu estável, mas com a cabeça alta e acabou por colidir com a cauda da aeronave.
  • Em um 38-way, dois paraquedistas se chocaram durante, ou logo após a abertura. Ambos pousaram com o velame aberto. Um deles estava inconsciente e conseguiu sobreviver, mas o outro não.
  • Quatro paraquedistas morreram ao colidir na reta final para o pouso que  foi a 100 pés ou mais baixo:
- Após uma curva de alta performance para o pouso, o atleta colidiu com outro paraquedista que fazia um pouso padrão, mas que havia feito uma curva direcional na reta final. Nenhum dos dois sobreviveu.
- Um atleta, ao fazer uma aproximação para pouso de alta performance, colidiu com um aluno que fazia a aproximação padrão. O aluno morreu.
- Após a tentativa de uma grande formação, um paraquedista colidiu com as linhas de outro paraquedista a aproximadamente 100 pés. O atleta que sofreu a colisão pousou com segurança, mas o outro atleta entrou em giro com um velame elíptico.
Dicas de Segurança
  • Siga procedimentos de saída padrão. Certifique-se de que sua saída será em um espaço aéreo livre e sobre uma área segura. Tenha certeza de que a saída foi autorizada. Em muitas aeronaves, o piloto não o deixará sair antes de reduzir o motor, antes que esteja em uma altitude nivelada e com os flaps abaixados. Os procedimentos podem variar em aeronaves diferentes. Se você não tiver certeza dos procedimentos, peça orientação antes do embarque. Se estiver com dúvidas, uma saída de mergulho é a mais segura.
  • Atenção aos operadores de salto e pilotos - sempre estejam com a aeronave em configuração de lançamento antes de autorizar a abertura da porta. O custo e o tempo necessários para abaixar os flaps e reduzir o motor são bem menores do que os reparos ou substituição de um estabilizador, sem contar com o trauma que uma fatalidade pode trazer.
  • Esteja em um espaço livre. Quando um atleta comanda seu paraquedas, a primeira ação a ser tomada é o cheque e, a segunda, é verificar se não há algum paraquedista próximo. Mesmo antes de soltar os batoques, o velame pode ser manobrado com os tirantes trazeiros.
  • Mantenha separados os pousos de alta performance dos pousos padrão. As áreas de saltos da USPA chegaram a um acordo de separação desses tipos de pousos, por tempo ou distância seguros. Um operador de área deve insistir nesta separação. Entretanto, cada atleta tem a responsabilidade por sua própria segurança. Se uma área parece estar congestionada, escolha outro local para pousar. Os atletas que efetuam pouso de alta performance tem um grau muito maior de responsabilidade para manter uma separação segura durante o pouso - durante sua aproximação, eles normalmente vêm de cima e por trás de um atleta que está efetuando uma aproximação padrão na mesma área de pouso. Em nosso esporte, o atleta que está mais baixo tem a preferência, já que é muito difícil enxergar acima e atrás. Pelo menos três dos atletas que morreram nas colisões descritas acima estavam fazendo exatamente o que deveriam fazer quando foram atingidos pelos outros paraquedistas, cujas posições provavelmente eram impossível de se ver.
Pouso (8 - 27%)
Antes do advento dos velames de alta performance, no começo dos anos 90, cerca de 4% das fatalidades anuais se deram durante o pouso. Desde 1993, uma média de 33% das mortes nos Estados Unidos ocorreram durante o pouso. Aqui estão as formas como os atletas morreram no pouso em 2008:
  • Dois incidentes resultando em morte ocorreram com saltos duplos, com os típicos velames grandes de tandem. Em ambos os acidentes, curvas de 180 graus foram iniciadas a aproximadamente 100 pés.
  • Uma paraquedista de TR com um velame e carga alar relativamente pequena estolou seu velame próximo ao solo. Para tentar recuperar, ela soltou rapidamente os batoques, o velame pendulou, ela tentou fazer o flare, mas pousou em uma área de taxiamento quando ainda estava em mergulho. Apesar de estar usando capacete, os ferimentos na cabeça foram fatais.
  • Um paraquedista que navegava em cima da área observou uma nuvem de areia no momento em que um atleta experiente fazia o pouso com um velame emprestado de 99 pés quadrados (seu velame normal era menor). A testemunha acredita que ele fez uma curva de 270 graus. Apesar do pronto atendimento médico, as lesões na cabeça foram fatais.
  • Um paraquedista com problemas de saúde perdeu a consciência quando navegava um velame de 90 pés quadrados. O pouso em voo total contribuiu para sua morte.
  • Um paraquedista bastante experiente estava treinando para um salto de demonstração com um velame de 90 pés quadrados. Não conseguiu completar a curva a baixa altitude. O batoque parece ter escorregado de sua mão durante a curva.
  • Um paraquedista com menos de 300 saltos estava tentando fazer uma curva de tirante dianteiro para o pouso. Ele pousou sem fazer o flare enquanto ainda estava em curva.
Dicas de Segurança
  • A escolha do velame pode ser uma das coisas mais importantes para sua sobrevivência. Faça escolhas conservativas, consistentes com seu nível de experiência e com o nível de risco que você pretende ter. Não considere apenas a carga alar. Há muitos velames que são considerados de alta performance mesmo com a carga alar relativamente baixa. Busque orientação com quem entende de equipamentos e cuja opinião você respeita.
  • Conheça as características de performance de seu velame a altitudes seguras. Pratique manobras tais como recuperação de stall, curvas com tirantes, curvas controladas ou totalmente freiadas, a uma altitude bem acima do padrão. Manobras que podem levar a uma pane, tais como curvas radicais, devem ser praticadas acima da altitude limite para o procedimento de emergência. Estar acostumado com o timing e com a recuperação em uma altitude segura é uma boa garantia.
  • Cuidado com equipamentos emprestados. A habilidade de comando e de execução do procedimento de emergência com equipamentos emprestados sempre foi uma preocupação. Com a sensibilidade dos velames atuais, um velame diferente também se torna um fator de risco importante.
Comentários Gerais
Em outro país
A morte de um paraquedista ocorreu em uma área de saltos filiada à USPA em outro país. Ainda que não faça parte da estatística de mortes nos EUA, vale a pena a lição. Um atleta com aproximadamente 40 saltos voava de forma padrão com seu velame de carga alar moderada até aproximadamente 400 pés, momento em que entrou em espiral à direita até o impacto. Ele pode ter encontrado problemas de controle, pois o batoque direito ainda estava alojado. O velame parecia controlável, mas baseado em sua dificuldade próximo ao solo, ele deveria ter usado o reserva.
Experiência
Ainda que os alunos não representem a maior quantidade das mortes anuais, cada ocorrência representa uma tragédia para o esporte. Eles são os atletas que mais dependem dos instrutores ou staff, para sua segurança. Quatro dos que morreram em 2008 estavam efetuando seu primeiro salto.
O que mais chama a atenção é que o paraquedista mais perigoso de hoje é aquele que foi mais seguro no passado - o que mais tem experiência. Trinta e oito por cento dos membros da USPA têm mais de 500 saltos. Dentro das fatalidades ocorridas em 2008, a média do número de saltos foi de 665. Metade dos paraquedistas que morreram em 2008 tinha mais que 500 saltos. Por quê este número desproporçional de fatalidades para atletas experientes?
Os atletas mais experientes são aqueles que compraram muitos equipamentos diferentes e que reduziram o tamanho do velame durante sua carreira no esporte. Baseado em sucessos passados, o atleta experiente tem a tendência a ousar mais. Além disso, há uma tendência em se tornar complacente ou mais autoconfiante com a experiência. Com as características de performance dos velames de hoje e com o ambiente do esporte em geral, a complacência pode matar.
Salto duplo
Desde sua introdução nos anos 80, o salto-duplo tornou-se a maneira preferida de iniciação ao esporte. Ainda que tenhamos sofrido alguns problemas durante o desenvolvimento dos saltos duplos, eles constituem hoje, de longe, o método mais rápido e seguro de introduzir um paraquedista em potencial ao esporte. Entretanto, o salto duplo não é apenas mais um salto para o piloto, pois ele necessita ter uma preparação mental diferente. O equipamento de tandem bem como seus procedimentos são mais complexos do que os adotados com equipamentos individuais. A preparação mental é que o piloto de duplo é responsável pela segurança de seu passageiro. Pilotos que já realizaram muitos saltos duplos podem tornar-se complacentes em relação aos riscos associados ao salto. Além disso, a mudança dos papéis de atleta recreativo para piloto de duplo pode ser desafiadora. Da utilização de um equipamento para pouso de alta performance para a utilização de um equipamento de duplo certamente deve haver uma preparação mental diferente. As manobras aceitas em um salto individual são inaceitáveis em um salto duplo. Os dois passageiros de tandem que morreram em acidentes de pouso em 2008, como resultado de curvas baixas, soam como advertência.
Paraquedistas mais velhos
O paraquedismo não é mais um esporte apenas para as pessoas de vinte ou trinta anos. Os estudos demográficos publicados no site da USPA mostram que 51% dos respondentes à pesquisa de 2007 tinham 40 anos ou mais. A recompensa por ter sobrevivido a sua juventude é o aumento dos problemas médicos. Ano a ano, vemos mais exemplos de paraquedistas mais velhos que ficaram incapacitados durante o salto. Os pilotos de salto duplo são obrigados a fazer anualmente o exame médico da FAA (Federal Aviation Administration), devem ter DAAs e paraquedas tolerantes, mas isto só faz sentido para os paraquedistas mais velhos que continuam saltando.
Conclusão
O risco do velame
Se dermos uma olhada geral nas mortes ocorridas no paraquedismo em 2008, perceberemos que nada se destaca tão fortemente quanto os problemas relacionados ao velame. As oito pessoas que morreram durante o pouso são indicadores óbvios do problema. Além disso, quatro das pessoas envolvidas em colisões morreram por causa dos conflitos entre pouso de alta performance e pouso padrão. Cada uma das cinco panes fatais se deram em velames de porosidade zero e com carga alar de alta para moderada. É provável que a abertura e as características de performance destes velames tenham favorecido a pane, pois as chocantes 17 mortes, entre as 30 ocorridas em 2008, estão relacionadas à escolha de velame feita pelos próprios paraquedistas. Sem dúvida alguma, uma das decisões mais importantes que você pode tomar em relação à segurança no paraquedismo está na seleção de seu velame principal.