Atletas

Lucas Weiss: do menino que dobrava paraquedas ao atleta que busca um título mundial

Redação AirPress
Redação AirPress
20/06/2026 às 15:01

Antes de vestir o uniforme da Marinha do Brasil, conquistar campeonatos nacionais ou participar
de recordes mundiais homologados pela Federação Aeronáutica Internacional (FAI), Lucas Weiss
já vivia o paraquedismo.

Natural do Rio Grande do Sul, Lucas cresceu em uma família onde o paraquedismo nunca foi
apenas um esporte. Era assunto à mesa, programa de fim de semana, ambiente de convivência e
parte da identidade familiar. As primeiras lembranças da infância envolvem hangares, aeronaves,
paraquedas espalhados pelo chão e atletas se preparando para saltar.

Aos 11 anos, já realizava a dobragem de equipamentos. Enquanto observava a movimentação ao
seu redor, começava a absorver os valores que moldariam sua trajetória: disciplina,
comprometimento, respeito e paixão pelo esporte.

Lucas não nasceu em uma família campeã. Nasceu em uma família apaixonada pelo paraquedismo.

Filho dos paraquedistas Everton Weiss e Leandra Weiss, cresceu ao lado do irmão, Vitor Weiss,
em um ambiente onde o esporte fazia parte da rotina familiar. Hangares, aeronaves, treinamentos
e saltos não eram eventos ocasionais, mas elementos presentes no cotidiano.
Para Lucas, os pais representam muito mais do que as pessoas que o apresentaram ao esporte.
Foram eles que construíram um ambiente onde os sonhos dos filhos sempre encontraram apoio e
onde o paraquedismo era mais do que uma modalidade esportiva: era parte da identidade da
família.

Mesmo sem recursos ilimitados, a família nunca mediu esforços para proporcionar oportunidades,
incentivar treinamentos e sustentar uma paixão que acabaria se transformando em profissão.
Se hoje Lucas é um dos principais nomes da Formação em Queda Livre brasileira, a origem dessa
história está na dedicação silenciosa de pais que acreditaram no sonho dos filhos muito antes de
qualquer medalha existir.

Foi no Rio Grande do Sul que Lucas construiu os primeiros capítulos de sua carreira.
Aos 16 anos, tornou-se paraquedista. Aos 19, conquistou a qualificação para atuar como coach de
Basic Body Flight (BBF).
Enquanto muitos atletas ainda buscavam experiência, Lucas já ensinava, treinava e acumulava
horas de trabalho dentro do esporte.

O paraquedismo deixava de ser apenas uma paixão para se tornar também uma profissão.

O paraquedismo deixava de ser apenas uma paixão para se tornar também uma profissão.
Aos 19 anos, participou de um intercâmbio de treinamento em DeLand, na Flórida, considerada
uma das capitais mundiais do paraquedismo. A experiência ampliou sua visão sobre treinamento
de alto rendimento e apresentou padrões internacionais que passariam a influenciar toda a sua
carreira.

Pouco tempo depois, vieram os primeiros resultados expressivos.
Em 2017, integrou as formações responsáveis pelos recordes brasileiro e sul-americano
homologados pela Federação Aeronáutica Internacional (FAI). Era apenas o começo.
Em 2019, Lucas alcançou um importante marco em sua trajetória no paraquedismo ao conquistar a
certificação de instrutor AFF (Accelerated Freefall), uma das qualificações mais respeitadas da
modalidade. Com a certificação, passou a atuar diretamente na formação de novos atletas,
compartilhando conhecimento, promovendo a cultura de segurança no esporte e contribuindo para
o desenvolvimento de uma nova geração de paraquedistas.

Anos de treinamento intenso transformaram aquele sonho em realidade.

Vieram os títulos nacionais, como o Campeonato Brasileiro de FQL 4-Way de 2020, na categoria Intermediária, e o
reconhecimento dentro da comunidade do paraquedismo.
Naquela época, o grande objetivo era um só: ser campeão brasileiro na categoria Open, o nível
máximo das competições nacionais organizadas pela CBPq.
Em 2022, sua trajetória daria uma nova guinada aos 23 anos, quando Lucas recebeu o convite
para integrar o time dos Netunos da Marinha do Brasil.
A mudança para Boituva, base de treinamento dos Netunos, marcou o início de uma nova fase,
mas não o começo de sua história.
Como integrante da equipe de paraquedismo da Marinha, ajudou a construir um dos períodos mais
vitoriosos da história da organização.

  • Em 2023, participou das conquistas históricas que levaram os Netunos aos títulos do
    Campeonato Brasileiro Indoor de 4-Way e do Campeonato Brasileiro de Formação em Queda Livre
    (FQL) 8-Way.
  • Em 2024, os Netunos da Marinha do Brasil conquistaram os títulos de Campeão Brasileiro Indoor
    de 4-Way e do Campeonato Brasileiro de Formação em Queda Livre (FQL) nas categorias 4-Way
    e 8-Way. A temporada teve um significado especial para Lucas, que passou a integrar também a
    formação de 4-Way da equipe e conquistou, pela primeira vez, seu título brasileiro nessa categoria.
  • Em 2025, vieram novos títulos nacionais, consolidando Lucas entre os principais atletas da
    modalidade no país.
    Paralelamente à carreira competitiva, Lucas construiu uma atuação profissional abrangente dentro
    do esporte.

Tornou-se treinador de equipes indoor e outdoor e especialista em Formação em Queda Livre.
Com mais de 2.800 saltos realizados, passou a atuar também na formação de novos atletas,
ajudando a desenvolver a próxima geração do paraquedismo brasileiro.
Entre os personagens importantes dessa caminhada está Alisson Vargas, atleta da Marinha do
Brasil e integrante do time norte-americano Arizona Airspeed, uma das equipes mais tradicionais
do paraquedismo mundial.

Mais do que companheiro de equipe, Alisson tornou-se amigo, parceiro profissional e uma das
pessoas que ajudaram Lucas a compreender o universo do paraquedismo de elite. Juntos,
desenvolvem camps de treinamento voltados à capacitação de atletas, compartilhando
conhecimento técnico e fortalecendo o cenário competitivo brasileiro.

Em 2024, o reconhecimento internacional veio como consequência natural.

Lucas participou do Recorde Mundial FAI de 151-Way Sequential, realizado nos Estados Unidos,
um dos feitos mais relevantes de sua carreira.
Em 2026, conquistou um novo grande feito para sua carreira e para o paraquedismo brasileiro,
alcançando a 8ª colocação no Campeonato Mundial de 4-Way Indoor, realizado em Lille, na
França. Dessa vez, competiu ao lado de George Narita, Jorge Neto e Enrico Cé, em uma equipe
independente criada para que o Brasil pudesse ser representado na competição.

Hoje, aos 27 anos, Lucas vive uma realidade que o menino dos hangares talvez nem conseguisse
imaginar.
Os títulos brasileiros vieram. Os recordes sul-americanos vieram. Os recordes mundiais vieram. O
reconhecimento internacional chegou. Mas os sonhos continuam crescendo.

Noivo, atleta de alto rendimento, treinador e profissional do paraquedismo há mais de uma década,
Lucas segue perseguindo um novo objetivo: ser campeão mundial.
E talvez exista algo simbólico nisso.
Porque, no fundo, apesar das medalhas, dos uniformes, dos recordes e dos convites
internacionais, Lucas Dalla Rosa Weiss continua sendo o mesmo garoto que cresceu observando
o céu a partir de um hangar e aprendendo, dentro da própria família, o significado do
paraquedismo.

A diferença é que agora o céu que ele admirava quando criança se transformou no lugar onde
constrói sua história.

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